Sam...
Via os olhos da garota de dentro do espelho encherem de lágrimas. Podia sentir seus medos, e seus traumas. Ouvia as vozes que lhe diziam que já não devia mais comportar-se como criança. A dor era oculta, e ela mesma não conseguia explicar o que estava acontecendo. Os seus gritos eram em silêncio, seus desejos eram contidos, seus sonhos já não conseguia traduzir.

Gostaria de ter certeza das coisas que deveria fazer, das decisões que poderia tomar. Sonhava todas as noites com um Anjo vestido de branco coberto por uma luz também branca que enchia o seu quarto de luz. Ele (o Anjo) segurava a mão dela, confortava-a. Ela ouvia o silêncio dele que lhe dizia; "paciência moça, paciência, tá tudo bem, tá tudo bem, vai ficar tudo bem". E ela acreditava no Anjo, ela queria acreditar, e acreditava mesmo. Com o seu coração, com suas forças e até mesmo com seu cérebro. Por que não com o cérebro?

[...]

A moça gosta de dançar, gosta de sorrir alto, desses sorrisos que a gente precisa mover todos os músculos do rosto e mostrar a gengiva e todos os dentes da boca. Ela gosta de dançar; ela ouve música eletrônica num quarto em silêncio como quem se esforça para enxergar além das linhas azul e rosa do horizonte. Ela costuma andar solitária pelas ruas (sem esquinas) como se estivesse a procura de algo que ela mesma não sabe o que é.

Ela se suja com comidas; doces, sorvetes, chocolates, algodão doce ( o preferido!). Ela sente nojo de suor, de injustiças e crueldades e costuma desviar o olhar para o chão, como quem procura uma saída e não encontra.

Ela tem juventude fresca na pele, sonhos de criança e olhar de mulher que exala vontade e desejo.
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